O término do tratado New START, último acordo bilateral que limitava arsenais nucleares dos Estados Unidos e da Rússia, reacende temores de uma nova corrida armamentista global.
Contudo, especialistas alertam que a ausência de limites formais pode reduzir a transparência e elevar a incerteza estratégica. Além disso, a possível participação de outras potências nucleares, como a China, complica ainda mais o cenário geopolítico.
Histórico e significado do New START
O New START (Strategic Arms Reduction Treaty) foi assinado em 2010 e entrou em vigor em 2011 com o objetivo de limitar o número de **ogivas nucleares estratégicas, mísseis balísticos intercontinentais e sistemas de lançamento** entre as duas maiores potências nucleares do mundo. O tratado impunha limites concretos, incluindo um teto de 1.550 ogivas nucleares implantadas e 700 sistemas de lançamento, além de exigir verificações regulares, inspeções e trocas de dados entre as partes. Sua expiração em 5 de fevereiro de 2026 marca o fim de mais de meio século de instrumentos jurídicos que impunham restrições bilateralmente à corrida armamentista, criando um vácuo de governança que preocupa analistas em termos de estabilidade global.
Pressões diplomáticas e propostas de extensão
Antes de expirar, líderes russos e americanos discutiram a possibilidade de extensão informal dos limites numéricos do New START por mais um ano, mesmo sem texto formal do tratado. O presidente russo, Vladimir Putin, chegou a propor tal solução em 2025, mas não houve consenso pleno entre Moscou e Washington. O presidente dos EUA, Donald Trump, por sua vez, expressou interesse em um novo acordo que contemplasse a participação da China, um elemento visto por muitos como complexo, já que Pequim mantém um arsenal nuclear menor e relutou em entrar em negociações multilaterais sobre controle de armas.
Riscos de proliferação e incerteza
Especialistas em segurança e controle de armas alertam que a ausência de um tratado vinculativo pode levar a um aumento não só nas ogivas dos Estados Unidos e da Rússia, mas também incentivaria outros países com capacidades nucleares a revisarem suas posturas estratégicas. Sem inspeções regulares e verificações mútuas, fica mais difícil avaliar as intenções e os estoques de cada potência, criando um ambiente propenso a mal-entendidos, escaladas acidentais ou decisões estratégicas precipitadas. Além disso, tecnologias emergentes, como inteligência artificial aplicada a sistemas militares, aumentam a complexidade das interações entre grandes potências nucleares, ampliando a margem de erro em momentos de tensão.
Relação com a China e equilíbrio estratégico
A possível entrada da China em futuros acordos de controle de armas representa um dilema diplomático. Enquanto Washington vê valor em incluir Pequim nas negociações para criar um quadro mais abrangente de restrições, a própria China afirma que seu arsenal ainda é significativamente menor que o de EUA e Rússia, tornando as negociações trilaterais desiguais e, segundo autoridades chinesas, injustas. Essa falta de equilíbrio dificulta a construção de um novo tratado que contemple todos os atores nucleares mais relevantes, e a ausência de um mecanismo claro para isso pode retardar soluções multilaterais que estabilizem o ambiente nuclear global.
Impactos no tratado de não proliferação nuclear
O fim do New START ocorre em um momento em que se intensificam debates sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que data de 1968 e segue como a principal arquitetura legal voltada à limitação e eventual eliminação de armas nucleares. Observadores internacionais afirmam que a expiração do New START sem um sucessor colocado em negociação fragiliza a credibilidade do TNP e pode enfraquecer a confiança de Estados não nucleares em relação ao compromisso dos Estados nucleares com o desarmamento. A próxima conferência de revisão do TNP prevista para 2026 será um teste importante para ver se os países com armas nucleares apresentam propostas concretas de redução e controle.
Reações internacionais e diplomacia de urgência
Líderes de várias capitais mundiais e organizações multilaterais já manifestaram preocupação com o fim do tratado. O secretário-geral da ONU ressaltou que a ausência de instrumentos de limitação pode aumentar o risco de uso de armas nucleares, que já é considerado o mais elevado em décadas. Países europeus, em particular, dependentes de garantias de segurança sob o guarda-chuva nuclear dos EUA, expressaram apreensão sobre a perda de mecanismos que reduzam a incerteza estratégica entre as grandes potências. Organizações civis e especialistas em desarmamento também têm pedido negociações urgentes para restaurar um marco legal que contenha e monitore arsenais nucleares.
Possíveis cenários futuros da corrida armamentista
Analistas veem cenários distintos caso não se chegue a um novo acordo. Um deles prevê que tanto os EUA quanto a Rússia comecem a expandir rapidamente seus arsenais estratégicos, aproveitando a ausência de limites formais. Outra possibilidade é que pressões diplomáticas e econômicas impeçam um crescimento descontrolado, mantendo uma espécie de “pacto tácito” de contenção. Observadores também consideram que outros países poderiam intensificar seus programas nucleares em resposta, o que complicaria ainda mais a arquitetura de segurança global, abrindo espaço para um ambiente menos previsível e mais instável.
Fontes (Referências das Informações): G1 (base original), Reuters, PBS, Super Interessante, análises de segurança nuclear e diplomacia contemporânea.

