Um alpinista austríaco foi a julgamento nesta quinta-feira em Innsbruck, acusado de homicídio culposo por negligência após deixar sua namorada sozinha em condições extremas na montanha Grossglockner.
A vítima, Kerstin G., de 33 anos, morreu de hipotermia no inverno de 2025, e o caso tem levantado intensos debates sobre responsabilidade e segurança em esportes de montanha, tanto na Áustria quanto em comunidades internacionais de montanhismo.
Detalhes do caso e circunstâncias da tragédia
A tragédia ocorreu em 18 de janeiro de 2025, quando o casal escalava o Grossglockner, a montanha mais alta da Áustria, sob temperaturas abaixo de zero e fortes ventos. Por volta das 2h da madrugada, o homem identificado como Thomas P. deixou Kerstin em estado exausto, hipotérmico e desorientado para buscar ajuda, segundo a promotoria. Ela morreu congelada na encosta da montanha.
Acusações da promotoria austríaca
Os promotores afirmam que Thomas P. era o alpinista mais experiente e, portanto, o “guia responsável” da excursão, criticando suas decisões desde o início. Entre elas estão iniciar a subida duas horas mais tarde do recomendado e não usar equipamentos de emergência adequados para proteger Kerstin do frio intenso.
Erros apontados pelos investigadores
A promotoria listou nove supostos erros que teriam contribuído para a morte da mulher, incluindo a escolha de botas inadequadas por parte dela e a recusa em aceitar ajuda ou embarcar em um helicóptero de resgate quando a situação se deteriorou. Além disso, ele não teria feito chamadas de emergência ou enviado sinais de socorro no momento certo.
Defesa nega responsabilidade criminal
O advogado de Thomas P., Kurt Jelinek, classificou a morte de Kerstin como um acidente trágico, argumentando que o casal planejou a escalada em conjunto e que ambos se consideravam suficientemente experientes, preparados e bem equipados para enfrentar o desafio da montanha.
Debate sobre responsabilidade e esportes de montanha
O caso gerou intenso debate sobre a responsabilidade de escaladores mais experientes quando estão com parceiros menos experientes em trilhas perigosas. Especialistas em montanhismo destacam que decisões individuais podem ter consequências legais significativas, especialmente em situações extremas como as enfrentadas pelo casal.
Repercussão social e críticas
Enquanto promotores argumentam que ele falhou em cumprir obrigações básicas de cuidado, parte da opinião pública e mesmo da comunidade de alpinistas questiona até que ponto decisões individuais em ambientes hostis podem ser consideradas negligência criminal. Alguns defendem que fatores climáticos extremos e limitações de comunicação desempenharam papel crucial na tragédia.
Pena e possíveis consequências legais
Se for considerado culpado de homicídio culposo por negligência grave, Thomas P. poderá enfrentar pena de prisão de até três anos, de acordo com as leis austríacas. O julgamento segue em andamento, com testemunhas e peritos sendo ouvidos sobre as ações tomadas durante a escalada fatal.
Fontes: BBC Brasil, Correio Braziliense, ITV News, The Guardian e People.

