Uma operação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) entrou no centro de questionamentos após revelações documentais.
A negociação envolve um crédito milionário que teria sido transferido sem garantia real válida, levantando dúvidas sobre a segurança da transação.
Documentos apontam inconsistência na garantia apresentada
Informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que um imóvel localizado em Mata de São João, na Bahia, foi apresentado como garantia na operação. No entanto, registros oficiais mostram que o terreno nunca pertenceu ao Banco Master, nem possui qualquer vínculo formal com o contrato firmado com o BRB. Essa ausência de lastro compromete a validade da garantia no negócio.
Operação envolveu crédito milionário e empresa de baixo capital
A origem da negociação remonta a dezembro de 2023, quando o Banco Master liberou cerca de R$ 378 milhões à empresa Lorde Participações por meio de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). A empresa, entretanto, possui capital social reduzido e apresentou prejuízo no período, o que já havia gerado alertas internos dentro do próprio BRB sobre o risco da operação.
Transferência ao BRB ocorreu com promessa de regularização
Meses depois, em setembro de 2024, o crédito foi vendido ao BRB por aproximadamente R$ 198 milhões. No contrato, o Banco Master se comprometeu a converter o modelo da operação para cédula de crédito bancário (CCB) e incluir garantias reais em até 60 dias. Posteriormente, documentos foram apresentados indicando a inclusão do imóvel baiano como garantia, embora sem comprovação efetiva de propriedade ou registro válido.
Mesmo imóvel aparece em outras operações sob suspeita
O terreno citado também teria sido utilizado como garantia em outra negociação envolvendo valores ainda maiores. Em um dos casos, o imóvel chegou a ser avaliado em cifras significativamente superiores ao seu valor estimado, o que levanta suspeitas adicionais sobre possíveis irregularidades. Além disso, a ausência de registro formal impede que o BRB execute a garantia caso haja inadimplência, ampliando o risco financeiro da operação.
Fonte: Metrópoles

