Ilustração fotográfica ultrarrealista gerada por IA mostra mergulhadores profissionais em operação de busca subaquática no Atol de Vaavu, nas Maldivas.

Entenda o caso dos mergulhadores italianos que morreram nas Maldivas

A morte de cinco mergulhadores italianos nas Maldivas mobilizou autoridades locais, equipes internacionais e o governo da Itália.

O grupo desapareceu durante uma exploração em cavernas marinhas no Atol de Vaavu, uma região conhecida pelo turismo de mergulho. A tragédia também ganhou novos desdobramentos após a morte de um mergulhador militar durante a operação de recuperação dos corpos.

Grupo desapareceu durante exploração no Atol de Vaavu

Os cinco turistas italianos morreram na quinta-feira (14), enquanto exploravam cavernas marinhas no Atol de Vaavu, nas Maldivas. Eles estavam em uma expedição de mergulho a bordo do navio Duke of York, junto com outros 20 cidadãos italianos, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Itália. O desaparecimento levou à abertura de uma operação de busca e recuperação considerada complexa pelas autoridades locais. O primeiro corpo encontrado foi o do instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, localizado na entrada da caverna. A partir disso, as autoridades passaram a trabalhar com a hipótese de que os outros quatro mergulhadores estivessem no interior da estrutura subaquática. A situação transformou o caso em uma das maiores tragédias de mergulho já registradas no país.

Vítimas eram ligadas à pesquisa e ao mergulho

Além de Gianluca Benedetti, morreram Monica Montefalcone, professora associada de ecologia da Universidade de Gênova; Giorgia Sommacal, filha de Monica; Federico Gualtieri, biólogo marinho; e Muriel Oddenino, pesquisadora. Os quatro corpos restantes foram localizados posteriormente na parte mais profunda da gruta marinha, conforme informou o governo das Maldivas. Um sexto mergulhador que fazia parte do grupo decidiu não entrar na água no momento da imersão. Os demais italianos que permaneceram a bordo receberam apoio psicológico da Cruz Vermelha, de acordo com as informações repassadas pelas autoridades. Não houve registro imediato de feridos entre os outros passageiros da expedição.

Busca pelos corpos exigiu missão de alto risco

A operação para localizar e recuperar os corpos foi tratada como uma missão de alto risco. As equipes precisaram lidar com uma caverna marinha profunda, estreita e escura, além de correntes consideradas imprevisíveis. Segundo o porta-voz do governo das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef, cada mergulho de recuperação tinha duração limitada por causa das necessidades de oxigênio e descompressão. A caverna chega a cerca de 70 metros de profundidade em seu ponto mais baixo. A estrutura também tem aproximadamente 200 metros de extensão, o que aumentou a dificuldade da operação. Por isso, mergulhadores experientes foram acionados, incluindo especialistas recomendados pela Itália e integrantes de equipes internacionais de segurança em mergulho.

Mergulhador militar morreu durante a recuperação

A tragédia ganhou outro capítulo no sábado (16), quando o sargento Mohamed Mahudhee, mergulhador militar sênior das forças de defesa das Maldivas, morreu durante uma missão de recuperação. Ele participava de uma segunda incursão na caverna, em uma operação marcada por profundidade elevada, baixa visibilidade e riscos de descompressão. As autoridades acreditam que Mahudhee tenha morrido por complicações associadas ao procedimento de retorno à superfície. Segundo o governo, ele mergulhava em dupla, conforme o protocolo, quando seu parceiro percebeu que havia algo errado. O militar foi sepultado com honras em Malé, capital das Maldivas, em cerimônia acompanhada por autoridades e pela população.

Causa exata das mortes ainda não foi definida

Apesar da localização dos corpos, a causa exata da morte dos mergulhadores italianos ainda não foi determinada. Especialistas apontaram que fatores como profundidade, lodo, escuridão total, correntes e perda de referência podem ter dificultado a saída da caverna. No mergulho em cavernas, normalmente é utilizada uma linha-guia para orientar o retorno. John Volanthen, integrante do Conselho Britânico de Resgate em Cavernas e conhecido por sua atuação no resgate de um time juvenil na Tailândia em 2018, afirmou que ainda não é possível saber se as correntes contribuíram para o acidente. Contudo, ele destacou que profundidade e sedimentos são elementos capazes de tornar o resgate muito mais difícil. O pânico também pode ampliar os riscos em mergulhos profundos, sobretudo em ambientes fechados.

Legalidade do mergulho passou a ser investigada

As autoridades das Maldivas abriram investigação para apurar como o grupo chegou a uma profundidade tão grande. Segundo Mohamed Hussain Shareef, mergulhos recreativos e comerciais no país não podem ultrapassar 30 metros por lei. No caso em análise, a entrada da caverna ficaria próxima dos 50 metros de profundidade, bem além do limite permitido sem autorização especial. A licença da embarcação foi suspensa enquanto a investigação segue em andamento. A operadora italiana Albatros Top Boat, responsável pela viagem de mergulho, negou ter autorizado ou sequer ter conhecimento de uma descida além do limite local. A representante da empresa afirmou que a operadora não permitiria o mergulho caso soubesse que o grupo pretendia ultrapassar os 30 metros.

Caso expõe riscos do turismo de mergulho nas Maldivas

As Maldivas são um dos destinos turísticos mais procurados do mundo e dependem fortemente do setor. O país recebeu mais de dois milhões de visitantes em 2025, em contraste com uma população residente de aproximadamente 500 mil pessoas. O mergulho é uma das principais atrações do arquipélago, especialmente em regiões com recifes e formações submarinas. O Atol de Vaavu fica na parte central das Maldivas, a cerca de 64 quilômetros de Malé. A região reúne atóis naturais, recifes e áreas procuradas por mergulhadores experientes. Após a tragédia, o governo das Maldivas classificou o episódio como o maior acidente de mergulho já ocorrido no país e manteve comunicação com a Itália em alto nível diplomático.

Fonte: CNN Brasil – https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/entenda-o-caso-dos-mergulhadores-italianos-que-morreram-nas-maldivas/

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