A eleição presidencial de 2026 entra na reta decisiva com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentrando a maior parcela das intenções de voto, enquanto outros candidatos tentam construir uma alternativa à polarização.
Nesse cenário, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos aparecem como nomes com projetos distintos e graus diferentes de competitividade. As pesquisas mais recentes mostram que existe espaço eleitoral fora dos dois polos, mas também evidenciam uma disputa ainda fragmentada entre os candidatos da chamada terceira via.
Lula e Flávio concentram a disputa, mas existe eleitorado fora dos dois polos
Os levantamentos nacionais divulgados em setembro mantêm Lula e Flávio Bolsonaro nas duas primeiras posições. A Quaest divulgada em 14 de setembro registrou Lula com 36% e Flávio com 31%, enquanto Augusto Cury apareceu com 7%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 4% e Romeu Zema com 1%. Já a pesquisa BTG Pactual/Nexus do mesmo período mostrou Lula com 42%, Flávio com 37%, Cury com 6%, Caiado com 5%, Renan com 2% e Zema com 1%. As diferenças entre os institutos reforçam a necessidade de observar tendências e não apenas uma pesquisa isolada, mas indicam que a disputa presidencial continua fortemente concentrada nos dois líderes.
A chamada terceira via tenta transformar rejeição à polarização em votos
O desafio dos candidatos que buscam espaço fora do confronto entre PT e PL é transformar insatisfação com a polarização em intenção efetiva de voto. Cury, Caiado, Zema e Renan Santos disputam esse eleitorado por caminhos distintos: Cury aposta em reformas institucionais e pautas ligadas à educação e saúde emocional; Caiado enfatiza segurança pública, saúde e experiência administrativa; Zema concentra sua plataforma na redução do Estado e em reformas econômicas; e Renan procura se apresentar como alternativa de renovação política, com discurso crítico ao sistema partidário tradicional, defesa de reformas institucionais e agenda econômica liberal.
Augusto Cury mantém vantagem numérica entre os nomes analisados
O escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato pelo Avante, aparece atualmente como o mais bem colocado entre os quatro nomes deste recorte. Seu programa procura combinar propostas de educação socioemocional, uso de inteligência artificial em políticas públicas, estímulo ao empreendedorismo, equilíbrio fiscal e mudanças institucionais, incluindo defesa de alterações no modelo político e no funcionamento de instituições. Cury tem oscilado na faixa de 6% a 7% em levantamentos nacionais recentes, desempenho que lhe garante, até o momento, a posição mais competitiva dentro desse grupo, embora ainda distante de Lula e Flávio Bolsonaro.
Ronaldo Caiado aposta em segurança, saúde e experiência administrativa
Ronaldo Caiado, candidato do PSD e ex-governador de Goiás, estrutura sua campanha principalmente em torno de segurança pública, gestão administrativa, saúde e responsabilidade fiscal. Entre suas propostas estão o fortalecimento da atuação federal contra o crime organizado, mudanças na estrutura da segurança pública e medidas voltadas à modernização e integração do SUS. Caiado aparece próximo de Cury em alguns levantamentos e mantém como principal ativo político a experiência acumulada no Executivo estadual, mas ainda enfrenta o desafio de ampliar nacionalmente seu eleitorado.
Romeu Zema mantém identidade econômica forte, mas enfrenta dificuldade nas pesquisas
Romeu Zema, candidato do Novo e ex-governador de Minas Gerais, apresenta o programa de perfil economicamente mais liberal entre os nomes analisados. Sua plataforma inclui redução de gastos públicos, privatizações, desregulamentação, revisão de programas governamentais e busca por maior equilíbrio fiscal, além de posições mais rígidas em segurança pública e críticas ao atual desenho institucional brasileiro. Apesar da experiência à frente de Minas Gerais e de aparecer competitivo em algumas simulações específicas de segundo turno, Zema permanece na faixa de 1% a 2% em boa parte dos cenários de primeiro turno, o que representa hoje seu principal obstáculo eleitoral.
Renan Santos busca transformar trajetória no MBL em candidatura nacional
Renan Santos, candidato pelo Partido Missão e um dos principais nomes ligados à trajetória política do Movimento Brasil Livre (MBL), tenta converter sua atuação como liderança de movimentos de rua e articulador político em uma candidatura presidencial de alcance nacional. Sua plataforma reúne pautas de renovação política, redução do tamanho do Estado, reformas econômicas, endurecimento no combate ao crime e críticas tanto ao PT quanto ao bolsonarismo, buscando ocupar um espaço próprio fora dos dois polos dominantes. Os levantamentos recentes indicam desempenho entre aproximadamente 2% e 4%, faixa que o coloca numericamente próximo de Caiado em alguns cenários e acima de Zema em determinadas pesquisas, tornando sua candidatura relevante dentro da disputa pela terceira via.
Quem tem mais chance de liderar a terceira via?
Considerando Cury, Caiado, Zema e Renan Santos, os dados disponíveis em meados de setembro colocam Augusto Cury em vantagem numérica dentro desse grupo. Caiado aparece como o adversário mais próximo em alguns levantamentos, enquanto Renan Santos já alcança percentuais suficientes para disputar espaço nessa faixa intermediária e não pode ser ignorado em uma análise ampla do cenário. Zema, apesar de possuir experiência administrativa e identidade programática consolidada, ainda apresenta desempenho inferior no primeiro turno. O quadro, porém, permanece aberto: debates, desempenho de campanha, rejeição, voto útil, exposição nacional e movimentação de eleitores indecisos podem alterar significativamente a correlação de forças até a votação.
Fontes: Editorial BaluarTV; Quaest; BTG Pactual/Nexus; AtlasIntel/Bloomberg; Folha de S.Paulo; Poder360; Agência Brasil; programas de governo apresentados à Justiça Eleitoral.

