Arca de Noé volta ao centro de estudos na Turquia, onde formação de 157 metros reúne evidências analisadas por arqueologia, geologia e contexto bíblico.

Ciência investiga formação de 157 metros perto do Monte Ararat associada à Arca de Noé

Uma pesquisa arqueológica autorizada pelo governo da Turquia está aprofundando os estudos sobre a formação Durupınar, uma estrutura de 157 metros de comprimento localizada no distrito de Doğubayazıt, próximo ao Monte Ararat. O local, identificado em 1959 por fotografias aéreas, chama atenção pelo formato semelhante ao de uma embarcação. Os pesquisadores usam métodos não invasivos para verificar se há elementos no subsolo capazes de justificar novas etapas da investigação.

Tecnologias mapeiam o interior da formação

O trabalho emprega georradar, tomografia de resistividade elétrica, tecnologia LiDAR e análises químicas do solo para examinar a área antes de qualquer escavação. Segundo os dados divulgados pelo projeto e repercutidos pela CNN Brasil, os levantamentos geofísicos indicaram estruturas subsuperficiais com ângulos retos e espaços semelhantes a compartimentos a cerca de 9 metros de profundidade. Amostras de solo coletadas em 2024 também apresentaram concentração de matéria orgânica quase três vezes maior no interior da formação do que nas áreas externas, resultado considerado relevante pela equipe, mas ainda insuficiente para estabelecer a natureza da estrutura.

Blocos perfurados também entram na investigação

Os pesquisadores analisam ainda grandes blocos de pedra perfurados encontrados no povoado de Arzap, na mesma região. Integrantes do projeto sugerem que essas peças possam ter funcionado como âncoras de arrasto utilizadas por embarcações antigas. A interpretação permanece em estudo e, segundo a equipe, escavações arqueológicas só devem ser consideradas depois da conclusão dos testes de perfuração e do mapeamento geofísico completo.

Relato da Arca está presente em tradições bíblicas e judaicas

A hipótese desperta interesse também pelo vínculo com o relato de Noé preservado no livro do Gênesis, texto integrante tanto da Bíblia cristã quanto da Torá. A narrativa descreve a construção de uma grande arca para atravessar o dilúvio e informa dimensões de 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 30 de altura. O episódio também é discutido na tradição rabínica posterior, inclusive no Talmude, que registra debates relacionados ao dilúvio e aos animais levados para a arca. Essas referências religiosas explicam a relevância histórica e cultural do tema, mas não constituem, por si só, evidência arqueológica sobre a formação estudada na Turquia.

Hipótese permanece aberta e depende de novas evidências

Apesar das características que chamam atenção — como o comprimento da formação, o formato semelhante ao de uma embarcação e as anomalias detectadas no subsolo —, não há confirmação científica de que Durupınar seja a Arca de Noé. A investigação atual busca justamente separar hipóteses de evidências verificáveis, combinando arqueologia e geofísica antes de qualquer intervenção mais invasiva. O valor científico do estudo está, portanto, no exame sistemático da formação e na possibilidade de esclarecer sua origem, seja ela natural ou relacionada à atividade humana.

Fontes: CNN Brasil; Sefaria Library; My Jewish Learning – https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/apos-4-300-anos-montanha-de-157-metros-na-turquia-pode-revelar-paradeiro-da-arca-de-noe/

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