Composição ilustrativa de navios comerciais no Estreito de Ormuz, ao lado das bandeiras do Irã e dos Estados Unidos, representando as tensões marítimas e geopolíticas entre os dois países.

Irã amplia ataques marítimos e busca pressionar os EUA antes das eleições, diz Reuters

O Irã está adotando novas estratégias para intensificar ataques contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz e em outras áreas do Oriente Médio.

Segundo dois altos funcionários iranianos ouvidos pela Reuters nesta quarta-feira (14), as mudanças buscam manter elevados os preços internacionais do petróleo e influenciar o cenário político dos Estados Unidos antes das eleições legislativas de novembro. A escalada ocorre em meio às tensões militares envolvendo Teerã, Washington e Israel, ampliando os riscos para o transporte marítimo e o abastecimento energético mundial.

Irã modifica táticas militares e aumenta pressão sobre navios comerciais

De acordo com os funcionários iranianos, que falaram sob condição de anonimato, Teerã começou a aplicar novas medidas operacionais há aproximadamente dez dias. As alterações envolvem tanto a frequência quanto os métodos utilizados contra navios considerados pelas autoridades iranianas em desacordo com suas restrições de navegação. Um oficial militar norte-americano confirmou à Reuters uma mudança relevante: após perder parte de sua capacidade de vigilância por radar, a Guarda Revolucionária iraniana passou a empregar pequenas embarcações com observadores desarmados para identificar possíveis alvos. Dados de segurança marítima apontam pelo menos cinco incidentes envolvendo petroleiros e outros navios comerciais em um intervalo de 48 horas na região de Ormuz.

Estreito de Ormuz permanece estratégico para o comércio mundial de petróleo

O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e a Península Arábica, é uma das principais rotas energéticas do planeta. Antes do atual conflito, aproximadamente um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito transitava pela passagem. Desde os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, em 28 de fevereiro, Teerã tem buscado ampliar seu controle sobre a circulação marítima. Segundo a Reuters, as operações também passaram a alcançar áreas próximas ao Golfo de Omã, ao Catar e aos Emirados Árabes Unidos. A insegurança eleva os custos de transporte e seguros, além de provocar preocupações sobre a estabilidade do fornecimento global de energia.

Fontes iranianas relacionam estratégia às eleições legislativas dos Estados Unidos

Dois altos funcionários iranianos afirmaram à Reuters que a intensificação das operações marítimas também possui objetivos políticos e econômicos. Segundo eles, a estratégia pretende dificultar os esforços norte-americanos para reduzir os preços internacionais do petróleo antes das eleições de 3 de novembro, quando os eleitores dos Estados Unidos escolherão representantes para o Congresso. A eventual influência dessas ações sobre o resultado eleitoral, entretanto, permanece uma intenção atribuída às fontes consultadas, sem comprovação de seus efeitos políticos. O governo de Donald Trump mantém sanções e medidas de pressão econômica contra Teerã, enquanto avalia os próximos passos diante do conflito.

Expansão dos ataques aumenta preocupações com segurança marítima internacional

A ampliação geográfica das operações iranianas representa mais um fator de instabilidade para a navegação comercial no Oriente Médio. Informações reunidas por organizações de monitoramento marítimo indicam incidentes além dos limites do Estreito de Ormuz, incluindo áreas próximas à costa de países do Golfo. Em sua avaliação mais recente, o Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos Estados Unidos, classificou a ameaça às embarcações comerciais na região como severa. Um dos funcionários iranianos afirmou ainda que Teerã pretende restringir progressivamente a passagem de navios que descumpram suas determinações. A possibilidade de novas interrupções mantém governos, transportadoras e mercados internacionais atentos aos desdobramentos da crise.

Fonte: Reuters — reportagem publicada em 14 de outubro de 2026.

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