Os Estados Unidos enfrentam uma pressão dupla em sua estratégia contra o Irã, em meio à escalada no Estreito de Ormuz.
De um lado, forças iranianas afirmam ter impedido a passagem de cargueiros pela região no primeiro dia do “Projeto Liberdade”, operação anunciada por Donald Trump para liberar a navegação. De outro, a China passou a orientar empresas do país a manterem compras de petróleo iraniano, mesmo diante das sanções americanas.
Operação americana enfrenta resistência iraniana
O Comando Central dos Estados Unidos afirmou que forças americanas rechaçaram ataques com drones, mísseis e lanchas armadas iranianas durante a escolta de dois navios de bandeira americana pelo Estreito de Ormuz. Trump declarou, em sua rede Truth Social, que sete lanchas foram abatidas. Segundo a CNN Brasil, os militares americanos empregam dois destróieres com mísseis guiados e mais de 100 aeronaves na operação no Golfo Pérsico. Contudo, o Irã negou que qualquer navio tenha atravessado o estreito na segunda-feira (4).
Teerã amplia controle sobre área estratégica
A Marinha iraniana no Golfo afirmou ter expandido sua área de controle sobre o Estreito de Ormuz. Um mapa divulgado pelos militares iranianos inclui águas internacionais e parte do mar territorial dos Emirados Árabes Unidos na zona supostamente controlada por Teerã. Além disso, o Irã reiterou que o trânsito de embarcações deve ser coordenado com suas autoridades. A companhia dinamarquesa Maersk, porém, confirmou que o cargueiro Alliance Fairfax, de sua subsidiária americana Farrell Lines, atravessou a região com escolta da Marinha dos Estados Unidos.
Milhares de cargueiros seguem parados
Apesar da operação americana, não há sinais de grande retomada da navegação no Estreito de Ormuz. De acordo com a CNN Brasil, cerca de 2 mil cargueiros permanecem parados na área interna do estreito, enquanto transportadoras e seguradoras aguardam garantias mais robustas de segurança. O Irã também afirmou ter feito disparos de advertência contra um navio de guerra dos Estados Unidos que se aproximava da região, forçando a embarcação a recuar. Dessa forma, o bloqueio continua produzindo efeitos sobre o comércio marítimo e o setor energético.
China orienta empresas a comprarem petróleo iraniano
A mudança mais sensível veio de Pequim. Normalmente, o governo chinês orienta discretamente empresas nacionais a respeitarem sanções americanas. No sábado (2), no entanto, o Ministério do Comércio adotou postura oposta e citou explicitamente a Hengli Petrochemical Co. como uma grande empresa autorizada a ignorar as restrições dos Estados Unidos. A orientação foi para que a companhia continue comprando petróleo iraniano. Portanto, a China sinaliza disposição de desafiar a pressão americana em um ponto central da estratégia contra Teerã.
Sanções secundárias podem atingir bancos
Se Washington decidir aplicar sanções secundárias, bancos que realizam transações com a Hengli poderão ter o acesso ao dólar bloqueado pelo Tesouro americano. Em geral, empresas menores costumam contornar sanções usando apenas o renminbi, moeda chinesa, porque essas operações são mais difíceis de rastrear pelo sistema financeiro dos Estados Unidos. Entretanto, a entrada de uma grande empresa nesse movimento amplia o desafio. A resistência militar iraniana, somada à nova posição chinesa, tende a reduzir o impacto da estratégia americana de asfixiar a economia do Irã e pode prolongar o fechamento do Estreito de Ormuz.
Fonte: CNN Brasil – https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/lourival-santanna/internacional/china-e-ira-desafiam-bloqueio-americano/

