Dentista observa cadeira odontológica sob investigação sanitária, com divisão visual entre clínica e oficina clandestina — imagem gerada por inteligência artificial.

Cadeiras odontológicas piratas invadem o mercado e ameaçam a segurança dos consultórios

BaluarTV alerta dentistas e pacientes sobre o avanço de montadoras que se passam por “fabricantes” e colocam em risco a saúde e a credibilidade do setor odontológico.

Imagine que você, dentista, invista parte do lucro da clínica em uma cadeira “fabricada no Brasil”, com promessas de durabilidade, garantia e suporte técnico. Mas, nos bastidores, essa cadeira pode ter sido montada com peças chinesas baratas, componentes falsificados e estrutura reaproveitada — vendida como nova.

Casos assim não são raros. Em todo o país, empresas que se autodenominam fabricantes atuam, na prática, apenas como montadoras: compram peças de origem duvidosa, reformam equipamentos sucateados e revendêm como produtos originais. Algumas já foram alvo de interdições da Anvisa por comercializar equipamentos falsificados e peças de mão adulteradas de marcas japonesas como NSK.


A farsa da “fabricação nacional”

Essas empresas utilizam o apelo do “produto brasileiro” para conquistar profissionais desavisados, mas o processo industrial é inexistente. São oficinas improvisadas que compram estruturas prontas, montam sistemas hidráulicos de baixa qualidade e utilizam placas de comando frágeis, muitas vezes instaladas debaixo do assento, sem proteção contra oxidação.
O resultado: falhas elétricas em até dois anos, risco de curto-circuito e inatividade precoce do equipamento.

Além disso, em nome da economia, substituem cubas de cerâmica por versões plásticas, alegando falsamente que são “mais higiênicas”. O real motivo é reduzir custo — e o prejuízo recai sobre quem compra.

Empresas com menos de cinco anos de mercado, sem sede industrial real ou portfólio de modelos diversificado, devem ser vistas com desconfiança. Geralmente são negócios que importam, montam e desaparecem quando surgem problemas técnicos.


Operações da Anvisa expõem mercado clandestino

Nos últimos anos, operações da Anvisa e do Ministério Público desmantelaram esquemas de venda ilegal de equipamentos odontológicos em vários estados.

  • Em 2025, uma operação no Paraná desarticulou um grupo que revendia produtos importados da China sem registro sanitário.
  • Em 2024, a Anvisa proibiu a venda de equipamentos da empresa Medfio, do Paraná, por falsificação e falta de autorização para fabricar produtos odontológicos.
  • Já em anos anteriores, o Conselho Federal de Odontologia e diversos CROs regionais denunciaram a falsificação de peças de mão japonesas NSK, além da venda de implantes e compressores contrabandeados.

Esses casos reforçam que o risco é real — e crescente.


O perigo silencioso: consequências graves para dentistas e pacientes

Para o dentista, as consequências podem ser devastadoras:

  • Responsabilidade civil e ética caso o equipamento cause lesão ao paciente;
  • Perda de credibilidade profissional diante de falhas em atendimentos;
  • Prejuízo financeiro com manutenção constante e falta de peças originais;
  • Garantia ineficaz — muitas empresas fecham antes mesmo do vencimento do prazo.

para o paciente, o risco é invisível, mas alarmante:

  • Possibilidade de choques elétricos, falhas mecânicas ou contaminação cruzada;
  • Cubas e mangueiras de baixa qualidade, suscetíveis a fissuras e acúmulo de bactérias;
  • Aspiração e sucção ineficientes, que comprometem o controle de infecção;
  • E, em casos extremos, danos à saúde bucal e ao tecido gengival durante o uso.

Como identificar se a empresa é fábrica ou apenas montadora

Antes de fechar a compra de um equipamento odontológico, siga este roteiro simples:

  1. Verifique o CNPJ no site da Receita Federal.
    Empresas registradas apenas como “comércio” e não como “indústria” provavelmente não fabricam nada.
  2. Pesquise o registro do produto no site da Anvisa.
    Se não houver número de registro, o produto é ilegal para uso em saúde.
  3. Peça fotos e vídeos do processo produtivo.
    Fábricas verdadeiras possuem linha de montagem, corte, solda e pintura industrial — não apenas bancadas e ferramentas manuais.
  4. Observe o design dos modelos.
    Se todas as cadeiras têm a mesma base ou estrutura, apenas pintadas de outra cor, é sinal de plataforma genérica importada.
  5. Questione sobre a origem dos componentes.
    Fabricantes sérios têm fornecedores homologados, notas fiscais e rastreabilidade completa.
  6. Procure histórico de mercado e certificações.
    Empresas com menos de 5 anos ou sem ISO / registro de boas práticas de fabricação merecem cautela.
  7. Desconfie de preços baixos demais.
    Fabricar custa caro — se o preço for “milagroso”, algo está sendo omitido.

Como escolher equipamentos odontológicos seguros

  • Prefira marcas consolidadas, com sede própria e histórico de pós-venda.
  • Exija contrato de garantia formal e suporte técnico regional.
  • Evite equipamentos vendidos, por empresas que permitam a escolha do técnico na hora da instalação.
  • Peça o registro do equipamento na Anvisa e verifique autenticidade.
  • Consulte colegas e associações odontológicas sobre reputação da marca.

O investimento inicial pode ser maior, mas o retorno vem na tranquilidade, segurança e durabilidade.


O preço oculto da “economia”

Comprar barato pode sair caro — e no caso dos equipamentos odontológicos, o preço pode ser a confiança do paciente e o futuro da clínica.
Cada cadeira irregular instalada representa um risco silencioso dentro de consultórios por todo o país.
Denunciar, fiscalizar e conscientizar é um dever ético de quem zela pela saúde e pela imagem da odontologia brasileira.


BaluarTV reforça a importância de verificar sempre o registro da empresa e do equipamento junto à Anvisa antes da compra.
Saiba mais em www.gov.br/anvisa e nos canais oficiais dos Conselhos Regionais de Odontologia.


📌 Matéria produzida por BaluarTV com base em informações públicas da Anvisa, Ministério Público e Conselhos Regionais de Odontologia.
Conteúdo educativo e de conscientização. Não há menção a empresas específicas.

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