Vista semiaérea do Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), em El Salvador, com o presidente Nayib Bukele em meio perfil no canto inferior direito da imagem.

Modelo de segurança de El Salvador sob Bukele ganha atenção no Brasil por queda drástica da violência

O plano de segurança do governo de El Salvador, implementado sob a gestão de Nayib Bukele, voltou ao debate no Brasil.

A estratégia incluiu estado de exceção renovado repetidas vezes, prisões em massa e grande ofensiva contra facções criminosas. Desde 2019, o país registrou uma queda expressiva nos homicídios, dado que tem motivado políticos e especialistas a estudarem a adoção de medidas semelhantes para o sistema de segurança pública brasileiro.

Histórico de violência e ascensão do plano de segurança

Durante décadas, El Salvador figurou entre os países com maiores taxas de homicídio do mundo. Em 2015, os assassinatos alcançaram patamar alarmante. A partir de 2019, com Bukele eleito, iniciou-se o programa de repressão intensa ao crime.

Redução dos homicídios — estatísticas oficiais

Segundo dados do governo salvadorenho, o número de homicídios caiu de 3.346, no ano anterior à eleição de Bukele, para apenas 114 em 2024. A taxa anual baixou para aproximadamente 1,9 homicídios por 100 mil habitantes, consolidando um cenário de segurança inédito na história recente do país.

Estado de exceção e prisões em massa como pilar do plano

Desde 2022, o regime de exceção foi decretado, suspendendo garantias e permitindo prisões sem ordem judicial para suspeitos vinculados a facções criminosas. Até 2025, o estado de exceção já havia sido renovado diversas vezes, tornando-se um dos principais pilares da estratégia de segurança nacional.

Megaprisionais e confinamento extremo de gangues

O governo construiu prisões de segurança máxima para abrigar milhares de detentos vinculados a gangues como MS-13 e Barrio 18. A unidade mais conhecida tem capacidade para 40 mil presos, com celas rígidas, isolamento e restrição de visitas. Essa estrutura é central para neutralizar a atuação de facções no país.

Convite da direita brasileira ao modelo salvadorenho

No Brasil, parlamentares e líderes políticos de direita têm observado o “modelo Bukele” como referência para enfrentar facções criminosas e insegurança urbana. Eles apontam que medidas duras, adaptadas ao contexto brasileiro, poderiam contribuir para o controle territorial e a redução dos homicídios.

Argumentos de eficácia: crime contido e controle territorial

Para apoiadores do modelo salvadorenho, os números demonstram que a repressão intensiva reduziu o crime organizado e restabeleceu a ordem. A queda no número de homicídios, aliada ao encarceramento em massa de membros de gangues, compõe um resultado concreto no combate à violência.

Críticas e questionamentos sobre direitos e confiabilidade dos dados

Organizações de direitos humanos denunciam abusos, prisões arbitrárias e condições rigorosas nas unidades prisionais. Há relatos de tortura, detenção sem processo e mortes sob custódia do Estado. Especialistas afirmam ainda que a transparência dos dados oficiais pode ser limitada.

Desafio de replicar o modelo no Brasil

A adoção de medidas semelhantes no Brasil encontra obstáculos estruturais, como diferenças legais, demográficas e institucionais. Seria necessário adaptar qualquer projeto ao contexto nacional, considerando equilíbrio democrático, garantias constitucionais e combate efetivo ao crime organizado.

Fontes (Referência): Poder360; dados públicos de segurança de El Salvador

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