O papa Leão XIV rejeitou a ideia de que a chamada “guerra justa” ainda sirva como justificativa para conflitos atuais.
No primeiro grande documento de seu pontificado, ele afirmou que o conceito está ultrapassado. Além disso, defendeu diálogo, diplomacia e perdão como caminhos mais eficazes para resolver crises.
Pontífice questiona doutrina usada há séculos
Leão XIV criticou uma premissa adotada pela Igreja Católica desde pelo menos o século V para avaliar quando países poderiam justificar guerras. Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, a posição pode ter impacto amplo sobre potências globais, especialmente em um momento de conflitos simultâneos pelo mundo.
Encíclica fala em diálogo, diplomacia e perdão
A posição foi apresentada na encíclica “Magnifica Humanitas”, publicada na segunda-feira (25). No texto, o papa afirmou que a teoria da “guerra justa” foi usada muitas vezes para justificar diferentes tipos de guerra. Em seguida, declarou que a humanidade possui ferramentas mais eficazes para preservar a vida, como o diálogo, a diplomacia e o perdão.
Documento também aborda IA e escravidão
O texto é o primeiro grande documento do pontificado de Leão XIV. Além da crítica à guerra, a encíclica pediu uma regulamentação global para sistemas de inteligência artificial. O papa também apresentou desculpas pelo fato de a Igreja Católica não ter condenado a escravidão no passado.
Cardeal afirma que teoria virou permissão indevida
O cardeal Blase Cupich, de Chicago, acompanhou a apresentação do documento no Vaticano. Ele afirmou que Leão XIV está preocupado com o uso da teoria por líderes mundiais. Segundo Cupich, a doutrina deveria funcionar como restrição, e não como permissão para governantes justificarem decisões militares.
Crítica ocorre em meio a guerras e tensão política
Nos últimos meses, Leão XIV adotou tom mais direto contra conflitos armados e chegou a receber críticas de Donald Trump após se manifestar sobre a guerra no Irã. A teoria da “guerra justa” também foi citada por integrantes do governo americano, incluindo o vice-presidente JD Vance. Para a acadêmica britânica Anna Rowlands, o papa busca recolocar o tema em um contexto mais amplo de construção da paz.
Fonte: CNN Brasil, com informações da Reuters – https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/papa-acaba-com-permissao-para-conflitos-e-fala-contra-a-guerra-justa/

