O Partido da Causa Operária (PCO), legenda de orientação socialista, decidiu não apoiar a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, disputado contra Flávio Bolsonaro (PL).
A decisão foi aprovada no domingo (11), durante a 39ª Conferência Nacional do partido, realizada em São Paulo, que estabeleceu oficialmente a recomendação de voto nulo. A posição chama atenção por partir de uma organização de esquerda que, nas eleições de 2022, havia apoiado Lula contra Jair Bolsonaro.
PCO muda posicionamento em relação a 2022 e decide não apoiar Lula
A orientação foi definida durante a conferência realizada no Centro Cultural Benjamin Péret, em São Paulo, após discussões sobre os resultados do primeiro turno e a estratégia política da legenda para a sequência das eleições. De acordo com o Diário Causa Operária, veículo oficial do partido, a decisão abrange tanto a disputa presidencial quanto os segundos turnos estaduais. Em 2022, o PCO apoiou Lula na eleição contra Jair Bolsonaro, mas agora considera que as condições políticas são diferentes. A direção da sigla afirma que a classe trabalhadora deve preservar sua independência diante das duas candidaturas presidenciais, sem se vincular automaticamente a um dos campos da disputa. O posicionamento representa uma divergência entre organizações situadas à esquerda do espectro político brasileiro, demonstrando que a identificação ideológica não resulta necessariamente em alinhamento eleitoral.
Presidente do PCO critica governo Lula e defende independência política
Durante a conferência, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, apresentou críticas ao governo federal e defendeu a orientação pelo voto nulo. Entre os argumentos utilizados pela direção partidária estão a avaliação de que a política econômica do terceiro mandato de Lula favoreceu instituições financeiras e grandes grupos empresariais, além de críticas às medidas fiscais adotadas pelo governo. O partido também questiona a relação política entre o PT e o Supremo Tribunal Federal (STF), considerando que essa aproximação contraria princípios defendidos pela organização. Essas afirmações correspondem à interpretação política do PCO sobre a atuação do governo, não constituindo conclusões independentes sobre as medidas mencionadas. Embora existam divergências entre o partido e o presidente Lula, a orientação aprovada por Rui Costa Pimenta e pelos demais participantes da conferência não representa apoio a Flávio Bolsonaro, mas a defesa do voto nulo como posição institucional da legenda.
Decisão do partido não significa apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno
A recomendação aprovada pelo PCO estabelece que seus militantes e simpatizantes não apoiem eleitoralmente nenhum dos dois candidatos que disputam a Presidência da República. A legenda argumenta que sua posição busca preservar a autonomia política dos trabalhadores e evitar a vinculação a projetos que considera incompatíveis com seu programa. A decisão, contudo, não impede que eleitores identificados com o partido façam escolhas individuais diferentes, já que a orientação partidária não tem caráter obrigatório para o eleitorado. No sistema eleitoral brasileiro, votos nulos não são contabilizados entre os votos válidos utilizados para definir o vencedor da eleição. Assim, a medida deve ser compreendida como um posicionamento político formal da sigla, e não como uma transferência direta de apoio ou de votos para Flávio Bolsonaro. A mudança em relação a 2022 evidencia as diferenças de avaliação existentes dentro da própria esquerda sobre o governo Lula e o cenário eleitoral de 2026.
Fontes: Jornal da Cidade Online e Diário Causa Operária (publicações de 12 e 13 de outubro de 2026).

