Chamado nas redes sociais de “Mounjaro de pobre”, o psyllium ganhou popularidade como uma suposta alternativa barata às canetas emagrecedoras.
No entanto, especialistas alertam que a comparação é exagerada. O suplemento é uma fibra solúvel natural, pode ajudar na saciedade, no intestino e no controle do colesterol, mas não age como medicamento contra obesidade.
O que é o psyllium e por que ele ficou famoso
O psyllium é uma fibra extraída da planta Plantago ovata, cultivada principalmente na Índia. Em geral, ele é vendido em pó, cápsulas ou sachês. Sua principal característica é formar uma espécie de gel ao entrar em contato com a água. Esse gel aumenta o volume do conteúdo no estômago e no intestino, o que pode prolongar a sensação de saciedade. Por isso, o suplemento passou a circular em vídeos sobre emagrecimento como uma opção mais acessível.
Por que ele não é igual ao Mounjaro
A diferença principal está no mecanismo de ação. O Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, uma substância usada no tratamento do diabetes tipo 2. A mesma molécula também é usada em outro medicamento aprovado para controle crônico de peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outras condições. A tirzepatida age em receptores hormonais ligados ao apetite, à glicose e à ingestão alimentar. Já o psyllium é apenas uma fibra alimentar. Ele não altera esses receptores e não deve substituir remédios prescritos.
O que a ciência mostra sobre peso, colesterol e glicose
Embora não seja uma “caneta natural”, o psyllium tem efeitos estudados. Pesquisas indicam que a fibra pode contribuir para pequenas reduções de peso quando associada a dieta e acompanhamento adequado. Também há evidências mais consistentes sobre melhora do perfil lipídico. Uma revisão com 41 ensaios clínicos randomizados e 2.049 participantes apontou redução significativa no colesterol total e no LDL, conhecido como colesterol ruim. Além disso, a fibra pode ajudar no controle da glicemia após as refeições, especialmente por retardar a absorção de carboidratos.
Como usar com segurança e quando ter cuidado
O psyllium deve ser consumido com bastante água, pois precisa de hidratação para formar o gel corretamente. Caso contrário, pode piorar a constipação. A ingestão costuma variar conforme orientação profissional, mas doses exageradas podem causar gases, cólicas, distensão abdominal e desconforto intestinal. Pessoas que usam medicamentos contínuos, têm dificuldade para engolir, doenças intestinais ou diabetes devem buscar orientação médica ou nutricional antes de iniciar o consumo. O suplemento pode ser útil, mas funciona melhor como apoio dentro de uma rotina com alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional.
Fontes: Superinteressante, FDA, Hospital Israelita Albert Einstein, PubMed/estudos científicos sobre psyllium e perfil lipídico.

