Vista inferior da cúpula do Capitólio dos Estados Unidos com a bandeira norte-americana tremulando ao vento em um dia ensolarado, em imagem gerada por inteligência artificial para fins jornalísticos.

Senado dos EUA aprova projeto que põe fim à paralisação do governo — mas a crise política escancara fragilidades do sistema

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira, 10 de novembro de 2025, o projeto que encerra o mais longo shutdown da história norte-americana.

Foram 41 dias de paralisação — abrindo caminho para a retomada dos serviços públicos federais rapidamente. Contudo, o acordo traz mais questões do que certezas: ele expõe a fragilidade da cooperação bipartidária, a dependência de concessões e os riscos de nova paralisação iminente.

O que foi aprovado e o que ainda não

O texto recebeu 60 votos a favor e 40 contra no Senado. Segundo reportagem, o acordo prevê reativar órgãos federais, pagar retroativamente parte dos salários suspensos e assegurar o financiamento de programas essenciais como o auxílio alimentar (“SNAP”) até setembro de 2026. No entanto, ele não garante a extensão dos subsídios de saúde da Affordable Care Act, uma das principais bandeiras dos democratas — o que gera críticas sobre a profundidade do avanço.

A cooperação bipartidária — ilusão ou avanço?

O pacto só foi possível porque oito senadores democratas romperam a disciplina de bancada e votaram com os republicanos. :contentReference[oaicite:7]{index=7} Internamente, o partido democrata acusa seu líder, Chuck Schumer, de ceder demais, enquanto os republicanos celebram vitória. :contentReference[oaicite:9]{index=9} Assim, embora pareça cooperação, muitos analistas interpretam o episódio como uma capitulação seletiva — e não uma colaboração genuína.

Servidores, serviços básicos e o impacto na população

Durante a paralisação, centenas de milhares de funcionários federais ficaram sem receber, e diversos serviços públicos foram interrompidos. Aeroportos, parques nacionais e agências federais sofreram atrasos ou fechamento parcial — gerando transtornos visíveis à população norte-americana. Com a aprovação, espera-se que essas atividades sejam normalizadas, porém o clima de incerteza permanece.

Déficit, dívida pública e o preço da “normalidade” provisória

Embora o governo esteja prestes a voltar a funcionar, o acordo não traz cortes drásticos — pelo contrário. O financiamento será estendido até 30 de janeiro de 2026, e adiciona cerca de US$ 1,8 trilhão à dívida federal estimada em US$ 38 trilhões. Ou seja: o fim da paralisação não significa estabilidade, mas apenas adiamento de novos riscos fiscais.

Riscos de nova paralisação e fragilidade institucional

O acordo encerra o impasse imediato, mas abre a porta para um novo embate: o prazo até janeiro de 2026 pode virar o novo momento-bomba para o orçamento federal. Sem garantias sobre saúde, subsídios e controle fiscal, analistas apontam que o modelo de “crise como ferramenta de negociação” ainda está ativo. A dúvida paira: se poderia ter sido evitada esta paralisação, por que se permitiu que ela chegasse a 41 dias?

Repercussões globais e lições para o Brasil

A paralisação nos EUA reverberou além de suas fronteiras. Como potência econômica e política global, a instabilidade legislativa norte-americana gera impactos em cadeias de exportação, confiança de mercado e regiões como o Rio Grande do Sul — que já enfrenta ameças à exportação por tensões externas. Essa crise serve como alerta ao Brasil: entrar em impasse orçamentário pode custar caro — tanto internamente quanto na imagem internacional.

Com isso, torna-se claro que o fim do shutdown nos EUA não é motivo para comemorar tranquilamente. É, sim, sinal de que o sistema está sob pressão — e que a normalidade que retornará é instável. Vale observar os próximos passos no Congresso norte-americano, pois o “término” pode apenas marcar o começo de outra crise à vista.

Fonte (Referência das Informações): G1 – https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/11/10/senado-dos-eua-projeto-shutdown.ghtml

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