O ex-primeiro ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que chegou o momento de a Europa deixar de bajular o presidente dos Estados Unidos diante das crescentes tensões em torno da Groenlândia.
Para ele, líderes europeus devem adotar uma postura firme caso Washington imponha tarifas aos aliados da Otan. A declaração foi feita no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde discussões sobre o futuro da aliança ganharam destaque.
Crise na Groenlândia intensifica debates na Europa
Rasmussen afirmou que a insistência de Trump para tornar a Groenlândia, território dinamarquês semiautônomo, parte dos Estados Unidos representa o maior desafio à Otan desde a criação da aliança em 1949. Ele defende que a Europa não pode mais ignorar as pressões econômicas e políticas vindas de Washington. A situação acirra o debate sobre a coesão transatlântica e a defesa coletiva.
Fim da era de elogios a Trump
Segundo o ex-secretário-geral da Otan, a época de elogiar Trump não funciona mais para proteger os interesses europeus. Ele destacou que o presidente americano responde principalmente à força, firmeza e unidade entre os aliados. Essa mudança de abordagem é vista como necessária diante de possíveis tarifas que podem afetar economias de países europeus da aliança.
Instrumento Anticoerção da UE entra em pauta
Rasmussen sugeriu que a União Europeia deve considerar o uso do chamado Instrumento Anticoerção, ferramenta poderosa criada para responder à pressão econômica externa. Ele lembrou que Trump ameaçou impor tarifas a oito países europeus que enviaram tropas à Groenlândia até que os EUA obtenham permissão para comprar o território. A proposta de retaliação econômica está sendo discutida em Bruxelas entre líderes da UE e da Otan.
Plano de três pontos para desarmar a crise
O ex-líder dinamarquês apresentou um plano em três etapas para reduzir a tensão. A proposta inclui a modernização de um acordo de 1951 entre Dinamarca e Estados Unidos para fortalecer a presença da Otan na Groenlândia, um pacto de investimentos para exploração de minerais e um acordo de estabilidade para limitar influências chinesas e russas. Rasmussen ainda não apresentou o plano a governos, mas pretende discutir a ideia em Davos.
Futuro da Otan e coesão europeia em jogo
Rasmussen enfatizou que o que está em jogo vai além da relação com Trump. O futuro da Otan e a capacidade de manter um bloco unido frente a pressões externas dependem da reação europeia. Afirmou que a Europa deve mostrar união e firmeza, evitando estratégias de bajulação que, segundo ele, não surtiram efeito nas negociações com Washington até o momento.
Fonte: CNN Brasil, com informações da Reuters, 20 de janeiro de 2026.

