O Vaticano confirmou a excomunhão de seis bispos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo tradicionalista também conhecido pela sigla FSSPX.
A medida ocorreu após a consagração de quatro novos bispos sem mandato pontifício, em Écône, na Suíça. O caso foi tratado por Roma como um ato de ruptura grave com a autoridade da Igreja Católica.
Fraternidade realizou consagrações sem autorização
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X realizou, na quarta-feira (1º), a consagração de quatro novos bispos sem a permissão do Papa Leão XIV. O ato ocorreu apesar dos apelos feitos pelo pontífice para que o grupo suspendesse a cerimônia e evitasse uma nova ruptura com Roma. Segundo o entendimento do Vaticano, a consagração episcopal sem mandato pontifício representa uma infração grave à comunhão eclesial.
Seis bispos foram atingidos pela medida
De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, a decisão alcança os quatro bispos recém-consagrados e também os bispos envolvidos diretamente na cerimônia. Entre os nomes citados estão Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, além dos novos bispos Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier. A excomunhão foi classificada como automática, conforme previsto pelo direito canônico para esse tipo de ato.
Vaticano também fala em cisma
O Dicastério para a Doutrina da Fé afirmou que a iniciativa da FSSPX configura uma situação de cisma, isto é, uma ruptura formal de comunhão com a autoridade do Papa. O Vaticano também advertiu que fiéis ou clérigos que aderirem formalmente ao grupo poderão incorrer na mesma consequência. Apesar da gravidade da decisão, Roma indicou que permanece aberta ao retorno daqueles que desejarem restabelecer a plena comunhão com a Igreja.
Grupo tem histórico de tensão com Roma
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada pelo arcebispo Marcel Lefebvre e mantém posições críticas em relação a mudanças promovidas pela Igreja Católica após o Concílio Vaticano II. O episódio atual remete a 1988, quando consagrações episcopais sem autorização papal também provocaram uma ruptura com Roma. Desta vez, a crise ocorre no pontificado de Leão XIV e recoloca no centro do debate a relação entre tradição, autoridade papal e unidade interna da Igreja.
Fontes: UOL/AFP, Gazeta do Povo, Canção Nova e El País.

