Canetas emagrecedoras em primeiro plano sobre bancada de laboratório, com profissional de saúde ao fundo realizando análise científica.

Canetas emagrecedoras: saiba o que pode estar por trás de casos de pancreatite em usuários

Autoridades de saúde brasileiras investigam casos graves de pancreatite que podem estar ligados ao uso de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça orientações sobre riscos, uso correto e necessidade de acompanhamento médico. Especialistas explicam os possíveis mecanismos e alertam para os sintomas que exigem atenção médica imediata.

Investigações sobre mortes e casos suspeitos

A Anvisa informou que, no Brasil, há seis mortes sob investigação que podem estar associadas ao desenvolvimento de pancreatite em pessoas que utilizaram canetas emagrecedoras entre 2020 e 2025. Além disso, mais de 140 notificações de problemas pancreáticos estão em análise pelo sistema de farmacovigilância do órgão, o VigiMed, o que levou ao reforço das orientações de segurança.

Medicamentos envolvidos e como atuam

As canetas emagrecedoras fazem parte de uma classe de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, que incluem substâncias como semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida. Esses fármacos são utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e, em alguns casos, para controle de peso sob prescrição médica, pois atuam estimulando a insulina e promovendo maior sensação de saciedade.

Risco de pancreatite e mecanismos possíveis

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode causar dor abdominal intensa, náuseas e vômitos e, em casos graves, evoluir para necrose tecidual e falência de órgãos. Essa reação adversa já consta como possibilidade nas bulas desses medicamentos, mas as autoridades ressaltam que o risco parece aumentar quando o uso é feito sem indicação ou acompanhamento médico.

Alerta internacional e evidências externas

Além do Brasil, agências reguladoras de outros países também monitoram esse problema. No Reino Unido, por exemplo, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) recebeu notificações de pancreatite ligada ao uso de medicamentos similares, incluindo registros de casos graves e até fatais, embora o risco geral seja considerado raro.

Orientações da Anvisa para usuários e profissionais

A Anvisa recomenda que usuários de canetas emagrecedoras procurem atendimento médico imediato caso sintam dor abdominal intensa e persistente, especialmente se irradiando para as costas, pois esse é um sinal clássico de pancreatite. A agência reforça que o uso deve ocorrer apenas com prescrição e acompanhamento de profissional de saúde, respeitando indicações da bula.

Uso consciente e acompanhamento clínico

Especialistas em saúde lembram que, apesar de os benefícios desses medicamentos superarem os riscos quando usados corretamente, qualquer terapia medicamentosa exige monitoramento clínico contínuo. Nesse sentido, consultas regulares, exames de acompanhamento e comunicação imediata de sintomas adversos ajudam a reduzir a probabilidade de complicações sérias.

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