Aliados do senador Flávio Bolsonaro avaliam que o encontro com Donald Trump ajuda a reforçar o acesso da família Bolsonaro à Casa Branca.
Porém, interlocutores reconhecem que o gesto pode ter alcance limitado diante da crise envolvendo Daniel Vorcaro. O desgaste ganhou força após revelações sobre pedido de apoio financeiro para o filme “Dark Horse”.
Encontro foi comemorado, mas não elimina desgaste
A visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca foi vista como um movimento positivo por aliados do senador. A avaliação é que o encontro com Donald Trump ajuda a recompor parte da narrativa política em torno da família Bolsonaro. Além disso, interlocutores enxergam o gesto como uma demonstração de acesso direto ao governo norte-americano. Esse ponto ganhou relevância após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se reunir com Trump no início de maio. Apesar disso, aliados admitem que a agenda internacional não resolve o principal problema político do momento. A relação de Flávio com Daniel Vorcaro segue no centro das cobranças.
Crise começou após revelações sobre pedido de dinheiro
O desgaste envolvendo Flávio Bolsonaro cresceu depois da divulgação de contatos com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo a apuração citada pela CNN, o senador teria pedido patrocínio para o filme “Dark Horse”. A produção é uma ficção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso ganhou peso político porque Flávio vinha negando contato com o empresário. Depois das revelações, recuos e versões diferentes sobre o uso dos recursos ampliaram a crise. Com isso, aliados passaram a temer uma demora na recuperação da imagem pública do senador.
Pré-campanha tenta reagir em meio a sequência negativa
A ida aos Estados Unidos ocorreu em um momento sensível para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. O encontro com Trump foi tratado como um primeiro respiro após semanas de pressão política. No entorno do senador, há preocupação com a dificuldade de virar o noticiário. A avaliação é que o tema Vorcaro continua tendo força para alimentar questionamentos. Além disso, Flávio trocou sua equipe de marketing durante o período de desgaste. A mudança busca reposicionar a comunicação e impedir perda maior de terreno na disputa política.
Operações da PF ampliaram pressão sobre aliados
O cenário negativo também foi agravado por operações da Polícia Federal envolvendo nomes ligados ao campo bolsonarista. Um dos casos citados pela CNN envolve o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas. A operação contra Ciro ocorreu em 7 de maio. A investigação apura suspeita de benefício ao Banco Master no Congresso Nacional mediante pagamento. Outro foco de pressão envolve Cláudio Castro, ex-governador do Rio e pré-candidato do PL ao Senado. Ele foi alvo de duas ações da PF em um intervalo de 11 dias.
Governo Lula evita ampliar repercussão do encontro
Enquanto aliados de Flávio tentam valorizar a agenda nos Estados Unidos, integrantes do governo Lula preferem não dar grande repercussão ao caso. A avaliação no Planalto é que comentar o encontro ajudaria o senador. Segundo a CNN, aliados do presidente classificaram a visita como uma espécie de exposição política em torno de Trump. Porém, a estratégia escolhida foi manter o foco na crise envolvendo Vorcaro. Nos bastidores, a leitura é que o episódio internacional pode render imagens fortes para a pré-campanha. Contudo, ele não apaga as dúvidas sobre os contatos com o ex-banqueiro.
Fonte: CNN Brasil – https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/jussara-soares/politica/aliados-de-flavio-veem-efeito-limitado-de-trump-na-crise-envolvendo-vorcaro/

