A Confederação Nacional da Agricultura convocou uma reunião com lideranças estaduais do setor para discutir a estratégia eleitoral deste ano.
O encontro já estava previsto, porém ganhou novo peso após o envolvimento de Flávio Bolsonaro no caso Master.
CNA convoca federações para discutir eleições
A CNA, principal entidade representativa do agronegócio brasileiro, marcou para quarta-feira (27) uma reunião com presidentes de federações estaduais de agricultura. O objetivo é avaliar o cenário eleitoral e discutir como o setor deve se posicionar diante das candidaturas deste ano. Embora o encontro já estivesse na agenda antes da crise envolvendo Flávio Bolsonaro, o episódio reforçou a necessidade de debate interno. Até então, o senador era visto como o nome presidencial com maior apoio entre lideranças do agronegócio.
Confiança em Flávio vira ponto de preocupação
Nos bastidores, fontes influentes do setor avaliam que a confiança no pré-candidato foi abalada. A percepção relatada é de que uma eventual recuperação de credibilidade será difícil, especialmente em um ambiente eleitoral já marcado por incertezas. Além disso, uma fonte afirmou que havia expectativa interna sobre possíveis denúncias contra Flávio. Mesmo assim, parte do setor apostava no senador como o nome mais forte contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo de ampla rejeição no agronegócio.
Setor busca nomes alinhados à agenda do agro
Diante da nova situação, a reunião deve tratar da organização política do setor nas eleições. A intenção é definir formas de apoio a candidatos considerados alinhados à agenda do agronegócio, tanto no Executivo quanto no Legislativo. Há especial atenção sobre a possibilidade de surgir um nome alternativo a Flávio Bolsonaro. Contudo, as alternativas hoje avaliadas ainda enfrentam obstáculos políticos, regionais ou de viabilidade eleitoral.
Caiado, Zema, Renan e Tereza Cristina entram no radar
Ronaldo Caiado é reconhecido como uma liderança histórica do setor, mas a avaliação atual é de que ele teria dificuldade para consolidar uma candidatura competitiva. Enquanto isso, Romeu Zema e Renan Santos aparecem como nomes que podem herdar parte dos votos perdidos por Flávio. Entretanto, o setor vê limitações nos dois caminhos. Zema é considerado um nome positivo por parte do agro, mas enfrenta desgaste por declarações sobre o Nordeste. Renan, por sua vez, é tratado por algumas lideranças como uma aposta arriscada para a disputa. Outra hipótese discutida envolve uma chapa com Tereza Cristina e Michelle Bolsonaro. Porém, essa possibilidade é considerada improvável, principalmente pela resistência atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Congresso também será tema central da reunião
A CNA também pretende analisar o cenário do Congresso a partir de 2027. A Frente Parlamentar da Agropecuária é considerada a maior e mais estruturada de Brasília, mas o setor quer ampliar a fidelidade dos parlamentares à sua agenda. Um dos incômodos recentes envolve a possibilidade de integrantes da frente apoiarem a PEC que prevê o fim da escala 6×1. O agronegócio se opõe à proposta, sob o argumento de que ela pode afetar a dinâmica de trabalho no campo. Atualmente, a FPA tem cerca de 350 parlamentares formalmente inscritos. Apesar disso, a avaliação interna é de que apenas um grupo entre 30 e 50 nomes atua de forma mais fiel e combativa em defesa das pautas do setor.
Na reunião, a CNA também deve orientar federações e sindicatos sobre os limites de atuação nas campanhas. O advogado da entidade, Carlos Bastide, fará uma apresentação sobre como participar do processo eleitoral sem violar a legislação.
Fonte: CNN Brasil – https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/caio-junqueira/politica/agro-se-reune-e-reavalia-apoio-a-flavio-apos-envolvimento-com-vorcaro/

