Uma ação civil pública pede indenização de R$ 120 milhões à Blaze e à influenciadora Virginia Fonseca.
O processo questiona práticas publicitárias utilizadas para atrair consumidores às apostas esportivas durante a Copa do Mundo de 2026. As acusações foram apresentadas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
Servidores acompanharam mensagens enviadas pela plataforma
De acordo com o processo obtido pela CNN Brasil, integrantes do MPDFT se cadastraram entre os consumidores da Blaze para reunir elementos destinados à investigação. A ação, descrita em um documento de 855 páginas, permitiu que a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor acompanhasse e registrasse mensagens promocionais enviadas pela empresa aos usuários cadastrados.
Material digital foi preservado para integrar o processo
Segundo o promotor Paulo Binicheski, responsável pela ação, os e-mails foram capturados em formato PDF diretamente da interface do Gmail. Além disso, os procedimentos teriam preservado dados como remetente, destinatário, horário, conteúdo completo e identificação da operadora. O objetivo foi manter a chamada cadeia de custódia digital, que documenta o percurso da prova e ajuda a demonstrar que o material não foi alterado.
MP aponta ofertas persuasivas e informações pouco visíveis
Na avaliação do Ministério Público, os documentos indicariam uma estratégia frequente e direcionada de envio de publicidade aos consumidores. As mensagens teriam utilizado linguagem persuasiva, ofertas com forte apelo comercial e mecanismos de urgência para estimular novas apostas. Ainda segundo a Promotoria, condições importantes para a liberação dos benefícios apareciam no rodapé, com letras menores, o que poderia caracterizar publicidade enganosa por omissão.
Ação pede indenização de R$ 120 milhões
O MPDFT ajuizou a ação civil pública na quinta-feira, 9 de julho, com pedido de tutela de urgência e indenização de R$ 120 milhões. O órgão acusa a Blaze e Virginia Fonseca de adotarem práticas publicitárias consideradas abusivas durante a Copa do Mundo. A investigação teria começado após relatos de consumidores sobre retenção de valores, bloqueios de contas e dificuldades para retirar recursos depositados na plataforma.
Defesas de Virginia e da Blaze contestam as acusações
Em relação a Virginia, o Ministério Público afirma que a influenciadora publicou conteúdos de incentivo às apostas sem identificar claramente a natureza publicitária da divulgação, especialmente durante uma partida de Cabo Verde. A defesa dela, entretanto, refutou as acusações e afirmou que ainda existem diligências pendentes, incluindo a análise de contratos e informações sobre o vínculo comercial. Já a empresa responsável pela Blaze declarou que ainda não havia sido formalmente intimada e afirmou manter suas operações de acordo com a legislação, as normas aplicáveis e as diretrizes de jogo responsável.
Fonte: CNN Brasil – https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/elijonasmaia/nacional/centro-oeste/df/virginia-servidores-do-mp-se-infiltraram-entre-clientes-para-investigacao/

