O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (22) que a Meta apresente, no prazo de 24 horas, um relatório técnico sobre a atuação do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
A medida atende a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que questiona possíveis ações coordenadas de mobilização política nas plataformas digitais. O canal reúne mais de 7 milhões de seguidores e já foi alvo de outras decisões da Justiça Eleitoral. O objetivo da nova determinação é verificar se as atividades identificadas estão de acordo com as regras de integridade eleitoral e com as medidas de prevenção informadas pelas empresas de tecnologia ao tribunal.
TSE exige relatório da Meta sobre possível atuação coordenada no WhatsApp
Na decisão, Kassio Nunes Marques estabeleceu que a Meta, responsável pelo WhatsApp, Facebook, Instagram e Threads, deverá prestar esclarecimentos sobre o funcionamento do canal “Exército do Lula”. A empresa terá de informar se identificou comportamentos coordenados, sincronização de atividades, compartilhamento sistemático de publicações ou articulação entre diferentes contas, canais e plataformas. O relatório também deverá apresentar informações sobre o alcance das mensagens, circulação de conteúdos, eventual amplificação artificial e possível impulsionamento pago. Outro ponto solicitado pelo ministro envolve os critérios utilizados pela Meta para diferenciar mobilizações políticas legítimas de ações coordenadas potencialmente irregulares. Segundo a decisão, os dados permitirão comparar o funcionamento do canal com as medidas de proteção à integridade das eleições apresentadas anteriormente pela empresa à Justiça Eleitoral.
Campanha de Flávio questiona mobilização digital e Janones contesta interpretação
O pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro menciona uma suposta estratégia de mobilização envolvendo pesquisas no Google e a divulgação de hashtags no X. De acordo com a representação, o canal administrado por André Janones teria incentivado seguidores a pesquisar a expressão “Bolsonaro mandou matar Lula” e a ampliar sua circulação nas redes sociais. Em razão dessas alegações, o TSE também determinou que Google e X prestem informações, em até 24 horas, sobre possíveis movimentos coordenados envolvendo buscas, sugestões de pesquisa e assuntos em destaque entre os dias 18 e 20 de outubro. Janones, por sua vez, sustenta que a mensagem publicada no canal tinha caráter de pergunta e não apresentava a expressão como uma afirmação. A Justiça Eleitoral busca esclarecer se houve mobilização espontânea de usuários ou mecanismos de amplificação que possam contrariar as regras eleitorais.
Canal com mais de 7 milhões de seguidores já passou por decisões anteriores do TSE
A nova determinação representa mais um desdobramento da disputa judicial envolvendo o “Exército do Lula”. Em 11 de outubro, Kassio Nunes Marques ordenou a suspensão do canal, mas a medida foi revertida no mesmo dia pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, responsável por outra frente de análise do caso. Uma avaliação técnica realizada pelo TSE não identificou conteúdos falsos entre as publicações examinadas naquela ocasião. Posteriormente, Nunes Marques condicionou o funcionamento do canal ao registro na Justiça Eleitoral, exigência cumprida pela campanha de Lula, que afirmou não assumir sua administração ou responsabilidade. Após novas decisões e a definição de critérios para canais mantidos por apoiadores, o TSE autorizou a desvinculação formal do espaço em relação à coligação presidencial. A solicitação atual à Meta busca esclarecer aspectos técnicos ainda questionados, sem representar, até o momento, uma conclusão definitiva sobre eventuais irregularidades.
Fonte: CNN Brasil — reportagem de Fernanda Fonseca, publicada em 22 de outubro de 2026 e atualizada às 16h48.

